A moda é usar fitoterápicos, tem para tudo, é cápsula de alho, ginkgo biloba, ginseng, cáscara sagrada, gengibre, carquejo, babosa e vários outros.

A receita do remédio milagroso e “natural” vai passando de amigo para amigo, parente para parente e o uso indiscriminado vai se tornando um perigo. Quem já não usou uma vitamina para curar um cansaço porque fulano de tal está tomando e se dando muito bem? Quem já não tomou quitosona, chá verde ou chá branco porque disseram que tem um efeito maravilhoso para emagrecer?

Primeiro devemos refletir sobre o fato do fitoterápico ser natural. Natural para mim é um dente de alho que temperamos nossa comida (não um concentrado de alho que está nestas cápsulas), natural para mim é comer uma maçã, uma cenoura ou uma laranja (não uma cápsula de 2000mg de vitamina C), em síntese, natural para mim é o que vem da natureza e isso não dá para comprar em um balcão de farmácia. Bom, mas esta é uma opinião minha.

Os fitoterápicos são sabidamente capazes de interagir com outras drogas podendo potencializar ou antagonisar o efeito de vários medicamentos. Portanto, se você faz uso de qualquer outro medicamento precisa ter o cuidado redobrado com o uso de fitoterápicos.

As pessoas utilizam o fitoterápico, na maioria das vezes, sem o conhecimento de seu médico, nutricionista ou outro profissional de saúde, talvez por achar ser “natural” não precise, por ter vergonha ou medo de ser criticado.

Para você ter uma idéia vários fitoterápicos como o alho,camomila, gengibre, ginseng, ginkgo biloba e outros podem potencializar o efeito de remédios anticoagulantes, isso pode aumentar o risco de hemorragias em pessoas que tomam por exemplo a Warfarina (remédio alopático anticoagulante).

Alguns fitoterápicos estimulam o sistema imunológico, como é o caso da alfafa, ginseng, suplementos de zinco, omega 3 e outros, o uso destes fitoterápicos devem ser revistos em pessoas portadoras de doenças auto imune ou pacientes em uso de imunosupressor (pacientes transplantados por exemplo), pois, nestes casos, estimular o sistema de defesa pode resultar em exacerbar a doença ou a rejeição ao orgão transplantado.

Outros fitoterápicos são hepatotóxicos, trazem alergias e outros problemas.

Portanto, antes de você começar a tomar aquela receita milagrosa, não custa consultar um médico.

*****

Update 01:

Gostaria de fazer uma ressalva. Segundo o comentário do usuário Bernardo Romão, o melhor profissional para procurar neste caso não é um médico, mas sim um farmacêutico.

Achei uma postagem no site enfermagemvirtual.com.br que fala justamente a mesma coisa. Em uma pesquisa realizada na Universidade da Califórnia foram entrevistados farmacêuticos e médicos a respeito das indicações, interações e efeitos colaterais de alguns fitoterápicos, o resultado foi que a média de acerto foi de 78% dos farmacêuticos contra 50% dos médicos.


7 comentários

  1. Sou estudante de Farmácia e gostaria de dexar aqui minha opinião sobre esta matéria. Como tudo na vida, o bom-senso deve falar mais alto. Inclusive na hora de falar mal do que pode sim ser ruim mas pode ser bom também ou de sugerir soluções que não são as mais apropriadas para um dado problema. Cuidado a gente tem que ter com tudo mesmo. É bom lembrar que a maioria das pessoas não sabe diferir fitoterapia de homeopatia, assim como a maioria dos médicos também não. No Brasil, o país da maior biodiversidade do mundo, os cursos de Medicina aina não têm uma cadeira de Fitoterapia, e de Homeopatia muito menos. Até a terapia ortomolecular, de bases absolutamente bioquímicas, é criticada por muitos médicos como uma “balela”. O que quero dizer aqui é que não adianta ter bom senso para consumir ou não um fitoterápico, o bom senso tem de se ampliar e chegar ao ponto de questionar os médicos, que se formam sem saber de um monete de coisas e não podem, como neste caso, dar orientação sobre fitoterápico algum, a não ser que esta seja a especialidade dele, que, com certeza, estudou fora da faculdade. Endeusar os médicos, ainda mais em um país nada sério como o Brasil é mais uma falta de bom-senso, tanto quanto achar que tudo que é natural é maravilhoso. Cigarro é natural. Maconha também. Consultar um médico que desconhece uma dada erva e a condena por ignorar a respeito da mesma é um ato de fortalecimento da ignorância fitoterápica sua e daquele profissional de saúde. Talvez ele nem saiba que o Buscopan é feito do princípio ativo do salgueiro, mas com certeza irá criticar uma receita-da-vovó com chá de folhas de salgueiro! Um nutricionista é mais capaz de saber sobre a composição química de uma erva e seus efeitos benéficos/maléficos que um médico. Mas temos que nos habituar a recorrer ao profissional correto para este tipo de consultoria: O FARMACÊUTICO. O farmacêutico estudou Farmacobotânica e Farmacognosia, matérias estas que nem o médico nem o nutricionista esturadam, e que são, de fato, estudos capazes de responder a questionamentos sobre plantas e seus usos, tanto na fitoterapia quanto na homeopatia. Então, a recomendaçaõ certa não é ter bom senso e procurar um médico antes de tomar um “remédio natural”. Procure um farmacêutico!

    Comentário por Bernardo Romão |

  2. Obrigado pelo seu excelente comentário.

    Comentário por Marisa |

  3. Comentário feito com muita propriedade.
    Concordo plenamente.

    Comentário por Valdir |

  4. boldo mata até boi

    Comentário por douglas |

  5. Sou estudante de nutrição e estava fazendo uma pesquisa sobre fitoterápicos e seus perigos.As pessoas fazem mesmo uso indiscriminados de fitoterápicos sem consultar um especialista seja médico ou nutricionista,tiro isso na minha própria casa,minha irmã na tentativa de emagrecer faz uso de um monte de ervas todas receitas milagrosas que dizem a ela …protanto acho importante materias que chamem atenção das pessoas sobre o risco que essas chamadas milagrosas receitas natural tem.

    Comentário por Rosana Santiago |

  6. Excelente texto, Bernardo. Devemos dar crédito aos profissionais cuja formação os habilita a um determinado discurso.
    E achar que o médico, no seu sentido mais geral, está habilitado para fala sobre assuntos, que por certo envolvem a sua profissão, mas que para os quais existem as respectivas áreas de atuação, é conceder mais poder de decisão àqueles que, usando de seu título e prestígio, sempre desautorizaram saberes provenientes de outras plagas, ainda que tenham sido reforçados por experiências multisseculares e fizessem parte da cultura de um povo. Tudo em nome da “ciência”.
    Parabéns pela sua explanação.

    Comentário por pablo |

  7. Ótimo texto Bernardo, Os Farmacêuticicos são o poder!!! Rs!

    Comentário por Claudia |

Escreva seu Comentário: